🔥 Noite de São João na Galiza 2026: Saltar fogueiras, sentir a Queimada e banhar-se à meia-noite

Publicado a 5 de maio de 2026 | Por Antonio | ⏰ Última atualização:

Noite de San Xoán na praia de Riazor, A Coruña, com milhares de pessoas à volta das fogueiras

📥 Guia San Xoán 2026

Receita queimada · 7 ervas · Horários · Como chegar e mais

A noite de 23 para 24 de junho é a mais curta e a mais mágica do ano na Galiza. San Xoán (São João em galego), o solstício de verão, celebra-se com fogueiras na praia, saltos sobre as chamas, cerimónias de queimada para afastar as meigas (criaturas sobrenaturais do folclore galego, uma mistura de bruxas e espíritos), e banhos da meia-noite que purificam o corpo e a alma. Cada vila, cada cidade tem a sua própria tradição, mas em todas elas o fogo e a festa misturam-se até ao amanhecer.

Para quem vem de Portugal, esta é uma terra irmã — o galego e o português partilham a mesma raiz, e um português entende perfeitamente um galego a falar. Aliás, se vives no Norte de Portugal, és capaz de chegar a Vigo em menos de uma hora. A Galiza está mesmo ao lado, e o São João galego tem muito daquela magia que também conhecemos no Porto ou em Braga, mas com um cunho celta que o torna único. Eu vivi muitas noites de San Xoán, especialmente na praia de Riazor em A Coruña, e garanto-te que é uma experiência inesquecível. Milhares de pessoas a partilhar vinho, a saltar fogueiras e a desejar que o novo ano que começa traga muita sorte. Neste artigo, conto-te como se festeja nas principais cidades galegas, os rituais que não podes perder e os conselhos para que a noite seja inesquecível (e segura).

⚠️ Data-chave: 23 de junho de 2026 (noite) – feriado no dia 24

A noite de San Xoán é a de 23 para 24 de junho. O dia 24 é feriado em toda a Galiza (São João). Muita gente também tira a sexta-feira 26 para fazer ponte. Se vens de fora, reserva alojamento já — as cidades enchem-se num instante. Para quem vem de Portugal, Vigo fica a pouco mais de 30 minutos da fronteira, e A Coruña a cerca de duas horas. É uma escapadinha perfeitamente exequível.


🔥 Celebrações de terra em terra: da Riazor à muralha romana

Cada recanto da Galiza tem a sua maneira de honrar San Xoán. Aqui vão as mais emblemáticas:

🏖️ A Coruña – Praias de Riazor e Orzán (a maior romaria)

Praia de Riazor na noite de San Xoán cheia de fogueiras

Onde: Praias de Riazor e Orzán.
Quando: Desde a tarde de 23 de junho até ao amanhecer.

Com mais de 150.000 pessoas, é a maior festa da Galiza. A praia transforma-se num mar de fogueiras, as pessoas saltam sobre as chamas (a lenda diz que é preciso saltar nove vezes ou fazer um pedido a cada salto), bebe-se calimocho (vinho tinto misturado com cola — o "kalimotxo" basco, muito popular em toda a Espanha), e comem-se sardinhas assadas. À meia-noite, uma grande fogueira oficial queima os "meigallos" — bonecos de pano que representam as coisas más do ano passado.

Já fui a Riazor muitas vezes, e nunca falha: chegas por volta das 20:00 com um saco de gelo, vinho tinto e cola para o calimocho, umas sardinhas se tiveste tempo de as comprar, e a firme intenção de não voltar a casa até o sol nascer. A praia vai-se enchendo aos poucos, as pessoas constroem as suas próprias fogueiras com a lenha que juntaram durante semanas, e em cada grupo há alguém com uma guitarra ou uma gaita (a gaita-de-foles galega). O cheiro a sardinha assada mistura-se com o fumo da lenha e a maresia. É um caos organizado impressionante. O melhor momento chega à meia-noite, quando toda a gente se levanta para saltar as fogueiras e fazer pedidos. Depois, a festa no passeio marítimo continua até o corpo aguentar. Se nunca foste, vai pelo menos uma vez na vida. E se vens de Portugal, A Coruña fica a umas duas horas de Vigo — uma viagem perfeitamente curta para uma noite tão especial.

⛪ Santiago de Compostela – Queimada e magia na zona velha

Cerimónia da queimada numa praça de Santiago durante a noite de San Xoán

Onde: Praças do centro histórico e parque de Belvís.
Quando: Desde a noite de 23 de junho, com bailes e queimadas nas praças.

Em Santiago, a magia concentra-se nas praças. As pessoas reúnem-se à volta de caldeirões de barro com queimada, enquanto o feitiço é recitado em galego e a chama azul ilumina os rostos. Há fogueiras na Alameda e no parque de Belvís (mesmo ao lado do nosso espaço). É uma noite mais familiar e menos caótica do que em A Coruña, mas igualmente especial.

Conselho de quem sabe: Vai até à zona de Belvís ou às praças da Catedral para viver a queimada com os locais. E se te cansares, passa pelo Señarís para beber qualquer coisa — estamos abertos até tarde nessa noite.

Desde que temos o nosso espaço na Av. de Quiroga Palacios, mesmo ao lado do parque de Belvís, vivo o San Xoán em Santiago de uma forma muito especial. Por volta das 22:00 já se sente o cheiro da queimada a partir da esplanada. As pessoas sobem da zona velha com os seus caldeirões, sentam-se no parque, e o ritual do feitiço começa. É uma noite mágica porque Santiago, sem ser tão concorrida como Riazor, tem aquele encanto único das praças de pedra, das gaitas ao fundo e da chama azul da queimada a refletir-se nas fachadas de pedra. E o melhor: quando fechas o espaço e sais, ainda há vida nas ruas, grupos a cantar, e alguém te oferece sempre um gole do seu caldeirão. Essa hospitalidade galega da noite de São João não tem preço. Para os portugueses que vêm a Santiago pelo Caminho, é uma ocasião perfeita para conhecer a cidade sob uma luz completamente diferente.

🏛️ Lugo – Fogueiras junto à muralha romana

Onde: Parques e muralha.
Quando: Noite de 23 de junho.

Em Lugo, as fogueiras são acesas em vários pontos da cidade, especialmente perto da muralha romana notavelmente preservada (Património Mundial da UNESCO). É uma celebração mais intimista, mas muito enraizada. Janta-se ao ar livre e depois vai-se saltando de fogueira em fogueira pelos bairros.

🌊 Vigo – Samil e outras praias

Quando: Noite de 23 de junho.

A praia de Samil também acolhe uma grande festa com fogueiras e sardinhas. É o segundo maior encontro depois de A Coruña. No centro histórico (Casco Vello) preparam-se queimadas e há bailes populares. Para os portugueses, Vigo é a porta de entrada na Galiza — a pouco mais de 30 km da fronteira de Valença. É perfeitamente viável vir passar a noite e voltar no dia seguinte.

🌉 Pontevedra – Rúa do Pasantería e rio Lérez

Os bairros históricos de Pontevedra enchem-se de festa. Destaca-se a "Fogueira do Pasantería", uma fogueira organizada pelos moradores com música e jantar popular. Há também celebrações nas margens do Lérez.

♨️ Ourense – Termas e queimada

Em Ourense, a noite de São João combina-se com os banhos nas termas ao ar livre. Algumas piscinas naturais abrem à noite, e as pessoas banham-se sob as estrelas enquanto nas margens do Minho se preparam queimadas. Sim, o mesmo Minho que nasce em Espanha e atravessa o norte de Portugal — mais uma prova de que esta é uma terra só.

🌍 Aldeias e paróquias rurais: a tradição mais pura

Se procuras autenticidade, vai a uma aldeia. Lá, as fogueiras acendem-se ao pé dos cruzeiros (cruzeiros de pedra, como os que vês em todo o norte de Portugal) ou nos adros das igrejas. Os vizinhos juntam lenha durante semanas, preparam sardinhas assadas e dançam ao som das gaitas até ao amanhecer. Sem multidões — ideal para quem vai com crianças pequenas.

Tanto eu como a Susana somos de Trazo, uma pequena comuna nos arredores de Santiago — um daqueles sítios com lugares dispersos onde toda a gente se conhece. Quando o sol se punha no dia 23 de junho, cada lugar acendia a sua fogueira central. Cada vizinho trazia a sua cadeira, o seu vinho ou cerveja, uma tortilla ou um chouriço para partilhar. E ali, à volta do fogo, passávamos as horas a conversar, as crianças brincavam à volta, saltávamos a fogueira sem as aglomerações das praias... era um ambiente familiar, daqueles que se sentem falta quando se cresce. Se és português, sabes bem do que falo — é o mesmo espírito das fogueiras de São João no Minho, a mesma maneira de estar à volta do lume.
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🌿 Rituais e tradições: saltos de fogo, meigas e banho da meia-noite

San Xoán é muito mais do que uma festa. Está carregado de símbolos e rituais para purificar e atrair boa sorte:

🔥 Saltar a fogueira

O costume mais comum: saltar o fogo à meia-noite em ponto. Diz-se que é preciso saltar nove vezes (ou um número ímpar) e fazer um pedido a cada salto. Outros acreditam que o salto afasta as meigas e limpa as más energias acumuladas durante o ano.

⚠️ Um aviso sobre o salto das fogueiras: Parece mais fácil do que é. E depois de uns copos de queimada, tudo te parece muito mais simples do que na realidade é. Não é raro ver alguém queimar os pés ou aterrar de focinho na areia. Há anos, um amigo meu aterrou de cabeça na areia de Riazor e passou dois meses de coleira. E a que nunca hei de esquecer: o irmão da Susana (o que vive no Japão) quando era criança não calculou bem o salto, não abrangeu a fogueira e caiu mesmo no meio. Queimou o pé tão gravemente que se via o osso. Portanto sim — salta se quiseres, mas com juízo e sem abusar da queimada antes.

🌊 Banho da meia-noite no mar

Nas localidades costeiras, banhar-se no mar à meia-noite é um ritual de purificação. Acredita-se que a água de São João tem propriedades curativas e que esse banho garante saúde e beleza para todo o ano.

Eu, só de meter os pés no mar depois de estar toda a noite a andar na areia quente das fogueiras e sentado perto do lume, já sentia um alívio imenso — como beber água no deserto. Não precisas de te banhar inteiro para aproveitar. Mas para além do perigo óbvio do mar (o Atlântico em A Coruña é aberto e bravo), o maior risco vem da falsa sensação de segurança que a queimada e o calimocho te dão. Com o corpo quente do fogo e a cabeça quente da bebida, subestimas o perigo. Se fores para a água, vai só até aos tornozelos e com os pés bem assentes na areia.

🔥 Queimar os "meigallos"

São bonecos de pano ou madeira que simbolizam tudo o que correu mal no ano passado. Escrevem-se os problemas neles ou amarram-se objetos velhos, e deitam-se ao fogo para "renascer" das cinzas.

Quando era criança, fazíamos algo parecido mas mais pessoal. Num papel escrevias tudo o que NÃO desejavas para ti no ano que começava — como o oposto da carta ao Menino Jesus. Enquanto no Natal se pedem desejos, em São João pede-se que as coisas más não aconteçam. Escrevias esses medos, esses receios, e queimavas o papel na fogueira. Ver as chamas a consumir aquelas palavras era libertador, como se ao queimá-las desaparecessem de verdade.

🌿 "Ramar a casa" – Os croques (ramos de dedaleira) de San Xoán

Outra tradição muito viva nas aldeias à volta de Trazo e nas paróquias do interior: o "ramar a casa" (galego para "enfeitar a casa com ramos"). Colocam-se ramos de uma planta muito especial, a Digitalis purpurea (dedaleira), às portas e janelas para impedir a entrada das meigas durante a noite mais mágica do ano. Em galego esta planta tem muitos nomes: sanxoáns, estalotes, abeluria, croques, dedaleira... O nome "estalotes" vem do barulho que as flores fazem quando se rebentam entre as mãos — coisa que em crianças fazíamos a toda a hora. É também uma das sete ervas usadas para a água de São João.

Em Trazo, na manhã de 23 de junho acordavas e já sabias o que te esperava: sair para procurar os croques (ramos de dedaleira). Passavas o dia inteiro a correr pelos bosques com os outros meninos da aldeia, os braços carregados de molhos de sanxoáns, e depois colocava-los em cada janela e em cada porta. Nenhuma janela, nenhuma porta, nenhuma fresta por onde uma meiga se pudesse esgueirar... não senhor, ramos de croques em todas elas. Era uma mistura de aventura e responsabilidade que ficava gravada para sempre.

🌿 Água de 7 fontes e as ervas de São João

A tradição manda colher no campo ervas como funcho, alecrim, hipericão (erva-de-São-João), malva, lúcia-lima, giesta e feto. Colocam-se num recipiente com água recolhida de sete fontes diferentes e deixa-se toda a noite ao relento, ao "sereno" (ao orvalho noturno). Na manhã seguinte, lava-se o rosto com essa água sem se olhar ao espelho. Em galego chama-se "facer o cacho" — um dos rituais mais antigos da noite de São João na Galiza.

Em crianças, em Trazo, sem saber que este ritual tinha nome, fazíamos exatamente isso. No dia 23 de junho acordavas e sabias o que fazer: visitar fonte atrás de fonte até completar sete, e ao mesmo tempo colher as ervas no monte. O sete não é por acaso: na tradição simboliza a união entre o céu e a terra. Aquela água, misturada com as ervas e deixada ao sereno da noite mais mágica do ano, protegia a casa das meigas, do mau-olhado e das más energias durante os doze meses seguintes. Chegavas a casa com os pés doridos de tanto andar, mas com a satisfação de ter água de sete fontes e a alegria de ter passado o dia inteiro a correr pelos bosques com os outros meninos da aldeia.
O ritual das plantas é muito popular entre as famílias. Se vens com crianças, prepara um raminho na tarde do dia 23 e deixa-o na varanda durante a noite. Na manhã seguinte, ao lavares-lhes o rosto com essa água, estás a desejar-lhes um ano de proteção.
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🥃 A queimada e o feitiço galego

Não há São João sem queimada. A bebida mágica feita com aguardente (aguardente de bagaço galega, muito parecida com a nossa bagaceira portuguesa), açúcar, casca de limão e grãos de café prepara-se em caldeirões de barro, acende-se e a chama azul supostamente queima os maus espíritos. Enquanto arde, alguém recita o feitiço contra as meigas com voz cada vez mais forte. É imprescindível viver isto pelo menos uma vez.

Sempre pensei que o feitiço da queimada viesse dos tempos romanos, uma tradição celta que dava à noite um ar lendário. Mas não. Há uns anos, enquanto trabalhava aqui mesmo, neste balcão de onde escrevo este artigo, um vizinho, um velho sábio daqui, disse-me: "Isso é coisa nova. No meu tempo, quando era criança, não havia essas tretas." Fiquei de boca aberta. Pesquisei — e efetivamente: o feitiço foi inventado em Vigo em 1967 por Mariano Marcos Abalo, um empregado do Banco Pastor que o escreveu para uns jogos florais num navio apreendido atracado no porto. Em 1974 juntou-lhe as referências a Satã e Belzebu e começou a representá-lo na discoteca Fausto. Pouco depois, uma tipografia de Vigo começou a vender cópias sem autorização, e as pessoas assumiram que era uma tradição ancestral. A tal ponto que o seu criador o registou com copyright em 2001. É inacreditável como aquele feitiço encaixou tão bem no espírito e no contexto da tradição de São João que em poucas décadas parece milenar. Isso não se consegue só a escrever bem — é preciso perceber a alma de uma festa e de um povo. E o Dom Mariano percebeu.

Para escrever este artigo, investiguei a fundo a história do feitiço e descobri com tristeza que Mariano Marcos Abalo faleceu em Vigo a 7 de fevereiro de 2022, aos 85 anos. E embora a cortesia não substitua a coragem — e já temos que chegue com os impostos para ainda andarmos a arriscar problemas de direitos de autor —, quero deixar claro que isto não é uma crítica. Muito pelo contrário. Este homem, um empregado bancário que escreveu uns versos para uma festa entre amigos, elevou uma tradição a algo sublime e memorável que hoje é embaixador da Galiza no mundo inteiro. Cada queimada que se acende, cada feitiço que se recita, leva a sua assinatura mesmo que ninguém o saiba. Daqui: toda a nossa gratidão e respeito a Mariano Marcos Abalo. Descanse em paz.

📜 Excerto do feitiço da queimada

"Mouchos, curuxas, sapos e bruxas. Demos, trasnos e diaños, espíritos das negras sombras…"

(Em português: "Mochos, corujas, sapos e bruxas. Demónios, trasgos e diabos, espíritos das negras sombras...") — um português consegue perceber quase tudo à primeira, tal a proximidade entre as duas línguas.

Não podemos reproduzir o feitiço completo por razões legais — está protegido por direitos de autor desde 2001. Não por medo, porque Dom Mariano nunca processou ninguém, mas porque como responsáveis por um site temos de cumprir as regras. Mas este excerto já te dá uma ideia do tom. Foi com essa intenção que Dom Mariano o escreveu: para que as pessoas se reunissem, partilhassem e se divertissem. Portanto já sabes: visita a Galiza na noite de 23 de junho e junta-te à festa. Para os portugueses, é quase como estar em casa — a língua percebe-se, a cultura abraça-se, e a amizade entre os dois povos sente-se em cada esquina.

🔥 Vontade de preparar uma queimada em casa?

Descarrega o nosso PDF com a receita tradicional, os truques para que saia perfeita e uma checklist da noite de São João. O feitiço completo terás de viver ao vivo ;)

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📅 Horários e datas-chave para 2026

📅 Terça-feira, 23 de junho – Noite de San Xoán

18:00 – 20:00 – Preparação das fogueiras em praias e praças.
22:00 – 00:00 – Jantar popular (sardinhas, carne, vinho).
00:00 (meia-noite) – Saltos de fogueira e queima dos meigallos.
00:00 – 02:00 – Banho da meia-noite no mar (nas praias).
02:00 – 06:00 – Bailes e queimadas até ao amanhecer.

📅 Quarta-feira, 24 de junho – Dia de São João (feriado em toda a Galiza)

Manhã – Descanso e ritual das plantas (lavar o rosto com a água das ervas).
Meio-dia – Almoços em família.
Tarde – Algumas localidades têm feiras ou as crianças brincam com "festicos" (vagens vegetais que rebentam).

✈️ Vens de longe? Ponte recomendada

O dia 24 é feriado, e podes também tirar a sexta-feira 26. Assim terias de 20 de junho (sábado) a 28 de junho (domingo). Reserva hotel já, especialmente em A Coruña, porque enche-se num instante. Para os portugueses, é uma viagem perfeitamente curta — do Porto a Vigo são menos de duas horas de carro ou de comboio.

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💡 Conselhos de um local para sobreviver à noite

  • Chega cedo (por volta das 20:00) à praia se quiseres lugar para a tua própria fogueira.
  • Não leves recipientes de vidro para a areia. Em A Coruña é proibido e multam (o vidro partido é perigoso). Leva latas ou plástico.
  • Não te banhes se tiveres bebido e evita zonas não vigiadas. Todos os anos há sustos.
  • Traz algo para comer para partilhar: empanada (torta salgada galega), pão, queijo, chouriço. A partilha faz parte da festa.
  • Calimocho fácil: vinho tinto + cola + gelo. A bebida da noite — encontras em todo o lado.
  • Se vens com crianças, procura uma fogueira pequena num bairro ou aldeia — mais segura e familiar.
  • Vê a meteorologia. Na Galiza pode chover, embora em São João geralmente faça bom tempo. Leva um corta-vento à mesma.
O meu conselho pessoal: se é a primeira vez, não compliques. Escolhe uma praia ou uma praça, chega com tempo, traz algo para comer e beber para partilhar, e deixa-te levar. O melhor plano é não ter plano nenhum. E se o dia estiver nublado, não faz mal: o fogo aquece na mesma e a festa faz-se à chuva se for preciso — na Galiza estamos habituados. A única coisa que te recomendo planear é a volta para casa, porque os transportes públicos saturam e os táxis desaparecem. Se vens de carro, estaciona longe e caminha, ou melhor ainda, procura alojamento a pé da praia e esquece o carro até ao dia seguinte. Para os portugueses, uma dica extra: se vierem de autocarro ou comboio, a linha Porto-Vigo é rápida e barata. Perfeito para uma escapadela de São João.
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🎯 Planeia o teu San Xoán passo a passo

Se é a primeira vez, sugiro este plano simples:

  • Final da tarde do dia 23: Vai à praia ou praça escolhida para ver as fogueiras a serem montadas.
  • Jantar (21:00 – 23:00): Come nas barracas de comida ou traz o teu próprio jantar para partilhar.
  • Meia-noite: Salta a fogueira (com cuidado!) e se estiveres na praia, vai dar um mergulho (em segurança!).
  • 00:30 – 02:00: Procura uma queimada e ouve o feitiço.
  • Até ao amanhecer: Bailes, música e festa.
  • 24 de junho, manhã: Recolhe as tuas plantas de São João da varanda (se fizeste o ritual) e lava o rosto com essa água. Descansa e come qualquer coisa boa.

🍔 Precisas de recuperar forças depois da noite?

No dia 24 de junho abrimos o nosso espaço às 13:00. Passa por cá para nos contar como correu e para comer um hambúrguer (ou uma queimada para a ressaca). Estamos na Av. de Quiroga Palacios, 5, a 10 minutos a pé do centro histórico.

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❓ Perguntas frequentes sobre São João na Galiza

É perigoso saltar as fogueiras?

Pode ser se não tiveres cuidado. Salta apenas fogueiras pequenas quando as chamas já não estiverem altas. As grandes costumam ser vigiadas pelos bombeiros. Não o faças se tiveres bebido.

Posso ir com crianças pequenas?

Sim, mas evita as praias cheias de gente. Procura uma aldeia ou bairro onde as fogueiras sejam mais pequenas e controladas. As crianças adoram o ritual das plantas.

Onde se vê melhor a fogueira oficial de A Coruña?

A fogueira grande é acesa perto do passeio marítimo, ao nível da rotunda do futebol (rotonda de futbolín). Qualquer ponto de Riazor ou do Orzán oferece boa visibilidade, mas quanto mais cedo chegares, melhor lugar terás.

É preciso pagar alguma coisa?

Tudo é gratuito. A queimada pode ser paga em alguns postos (3-5€ o copo). O estacionamento é muito complicado, é melhor usar transportes públicos ou ir a pé.

Pode levar-se comida e bebida?

Sim, é perfeitamente normal. Mas evita o vidro e leva sacos para recolher o lixo. A praia na manhã seguinte amanhece muito suja — vamos todos dar uma mão para que não seja assim.

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Espero que este guia te ajude a viver uma noite de São João inesquecível. Se tiveres alguma dúvida, escreve-nos. E se passares por Santiago nesses dias, vem contar-nos a tua experiência. Boas festas e que as meigas non che fagan dano! (Boas festas, e que as meigas não te façam mal!) — em português percebe-se quase tudo, não percebes? É a mesma alma, a mesma língua-irmã.


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